A aposta do Oriente Médio no talento global
abril 21, 2025

A aposta do Oriente Médio no talento global

Recentemente, escrevi sobre como o Oriente Médio segue ganhando força enquanto outras regiões do mundo parecem travadas. Aquele artigo gerou conversas interessantes, e um tema voltou várias vezes: talento.

Mais especificamente, como países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Barein estão se reposicionando para atrair profissionais qualificados, empreendedores e trabalhadores remotos do mundo todo.

Enquanto muitos países estão fechando portas ou tornando seus processos mais difíceis, o Golfo está indo na direção contrária: oferecendo vistos de longo prazo, isenção fiscal e acesso direto a ecossistemas em expansão.

Vistos desenhados para quem quer construir

Nos Emirados, o Golden Visa permite residência de 10 anos renováveis para investidores, profissionais especializados, empreendedores e até estudantes com alto desempenho.

O Green Visa, por sua vez, permite que trabalhadores qualificados e autônomos morem no país sem precisar de um patrocinador local. Isso garante mais liberdade e estabilidade.

Na Arábia Saudita, a Residência Premium garante ao estrangeiro o direito de viver, trabalhar, empreender e adquirir imóveis sem a necessidade de um patrocinador. A proposta inclui isenção de imposto de renda e acesso a serviços como saúde e educação. Também foram criadas categorias específicas para cientistas, engenheiros, profissionais de saúde e fundadores de startups.

Trabalhadores remotos têm vez

Dubai lançou um programa de visto para trabalho remoto que permite viver na cidade enquanto se trabalha para uma empresa no exterior. Comprovação de renda estável (cerca de 5 mil dólares por mês) é suficiente para acessar serviços como conta bancária, escola e seguro-saúde.

Barein, Catar e Omã também estão adotando modelos semelhantes. O Omã Vision 2040 prevê zonas dedicadas a nômades digitais e startups internacionais.

Com infraestrutura moderna, conexões globais, clima favorável e praticamente zero de imposto de renda pessoal, a região está se tornando uma opção muito competitiva para quem trabalha de qualquer lugar.

Incentivos reais para quem quer empreender

Na Arábia Saudita, o megaprojeto NEOM é um exemplo claro. A proposta inclui isenção total de impostos, 100% de propriedade estrangeira, licenças simplificadas e subsídios para moradia e saúde. Os setores-alvo vão de IA a energia limpa e biotecnologia.

Nos Emirados, existem mais de 40 zonas francas, como a Dubai Internet City e Abu Dhabi Global Market, que oferecem regime tributário vantajoso, abertura rápida de empresas e acesso a financiamento.

O Catar, através da Autoridade de Zonas Francas, está atraindo grandes empresas de tecnologia como Google Cloud e Microsoft, com condições parecidas para empresas menores.

Cada país foca em uma frente. Dubai está se tornando um hub de fintech e mídia. Riade está apostando em tecnologia profunda e sustentabilidade. Doha está construindo um ecossistema voltado para educação e pesquisa. Barein está se especializando em regulação para fintech.

O ecossistema de startups está aquecido

Em 2024, startups da região MENA captaram mais de 2,3 bilhões de dólares. Os Emirados lideraram em volume de rodadas, mas a Arábia Saudita ficou com 42% do capital investido.

Destaques recentes:

Os grandes fundos estão ativos. Mubadala, ADQ e o PIF saudita estão investindo dentro e fora da região, muitas vezes com a condição de trazer empresas investidas para operar no Golfo.

Desenvolver talentos locais também faz parte

Não se trata apenas de atrair talento estrangeiro. Há uma estratégia clara para formar competências locais.

Na Arábia Saudita, o programa Human Capability Development tem como meta treinar mais de um milhão de pessoas em áreas como engenharia, tecnologia e saúde.

Nos Emirados, o programa Nafis oferece subsídios salariais, treinamentos e apoio a empreendedores locais para aumentar a participação dos nacionais no setor privado.

O Qatar Foundation abriga a Education City, um campus com unidades de universidades como Carnegie Mellon e Georgetown.

Conclusão

O Oriente Médio está jogando o jogo do longo prazo. Está criando um ambiente onde capital, talento e visão de futuro se encontram.

Enquanto outras regiões estão em compasso de espera, o Golfo está acelerando.

Para quem quer construir, as portas estão abertas.